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Silêncio da gestão Joel amplia dúvidas sobre educação inclusiva

Gestão Joel foi questionada sobre alunos com TEA, auxiliares de sala, professores de inclusão, laudos, protocolos e estrutura da rede, mas não enviou resposta até a publicação. Deixando a população com ampla dúvida sobre a eficácia da política de educação inclusiva conduzida por sua gestão.

Relatórios apontam 187 auxiliares de sala e 21 profissionais ligados à inclusão; Prefeitura não explicou como atende alunos com TEA e alta necessidade de suporte.

A gestão do prefeito Joel Lucinda não respondeu aos questionamentos enviados pelo Cidadão Porto Belo, Márcio Moraes, sobre a estrutura da educação inclusiva na rede municipal. A gestão foi procurada para explicar como atende crianças com TEA e outras deficiências, qual o papel das auxiliares de sala, quantos profissionais especializados atuam nas escolas e quais protocolos orientam situações de crise, lesão ou contenção.

Até a publicação, não houve resposta.

A falta de retorno impede que a população conheça, com dados oficiais, se Porto Belo possui profissionais suficientes, formação adequada, atendimento educacional especializado e critérios claros para acompanhar crianças com maior necessidade de suporte.

Transparência não é favor da administração. É dever de quem governa. Uma gestão pública precisa responder à sociedade, inclusive quando as perguntas são incômodas ou vêm de quem pensa diferente. O silêncio oficial não elimina as dúvidas. Ao contrário: aumenta a obrigação de esclarecer.

O que o Cidadão apurou até agora

Documentos do sistema de recursos humanos da Prefeitura mostram diferença expressiva entre a quantidade de auxiliares de sala e profissionais ligados à inclusão.

Um relatório de pagamentos de maio de 2026 registra 187 auxiliares de sala. Já uma relação de funcionários de junho de 2026 aponta 21 profissionais em cargos com a descrição “Inclusão”.

Os relatórios de cargos e níveis também mostram diferença nas tabelas de vencimento. Para auxiliar de sala, há base inicial de R$ 2.153,25 e classe inicial da educação em R$ 2.983,38. Nos cargos de inclusão, a tabela chega a R$ 7.336,14 nos níveis mais altos.

Esses números não provam, sozinhos, desvio de função. Mas levantam uma pergunta direta: Porto Belo está usando auxiliares de sala para suprir a falta de professores de inclusão, profissionais de apoio escolar ou atendimento especializado?

A Prefeitura foi questionada sobre isso. Não respondeu.

Relatos apontam sobrecarga

Além dos documentos, o Cidadão recebeu relatos de profissionais e famílias sobre possível sobrecarga na educação inclusiva. As informações indicam que auxiliares de sala podem estar acompanhando crianças com TEA e alta necessidade de suporte sem formação específica, sem protocolo claro e sem supervisão técnica suficiente.

Também há relatos de crises, arranhões nos pequenos, adoecimento de servidoras, medo, afastamentos e dificuldades no manejo de crianças autistas.

O objetivo da apuração não é expor alunos nem trabalhadores. É cobrar da Prefeitura a estrutura necessária para proteger todos: crianças, famílias e profissionais da educação.

O que ainda precisa ser explicado

A gestão Joel precisa informar quantos alunos com TEA estão matriculados na rede municipal, quantos possuem laudo com indicação de suporte individualizado e quantos recebem atendimento educacional especializado, o AEE.

Também precisa dizer quantos professores de inclusão estão em atividade, quantos profissionais de apoio escolar atuam nas unidades, quantas auxiliares acompanham alunos com deficiência e qual formação foi oferecida a essas servidoras.

Outra dúvida permanece: a rede possui protocolo para crises, contenção física, lesões, comunicação às famílias e preservação de registros internos?

Essas perguntas foram feitas à Gestão Joel. Até agora, seguem sem resposta.

Transparência protege a própria gestão

Responder não significa concordar com a reportagem. Significa prestar contas.

Uma gestão pública transparente acolhe questionamentos, corrige informações quando necessário, apresenta documentos e permite que a população acompanhe os atos do governo. Isso vale para aliados, críticos, servidores, famílias e imprensa.

Quando uma administração deixa de responder, perde a chance de explicar sua versão, corrigir dados, apresentar providências e demonstrar compromisso com as crianças da rede municipal.

No caso da educação inclusiva, o dever de transparência é ainda maior. As informações envolvem crianças com deficiência, famílias em situação de vulnerabilidade, servidoras expostas a risco e o uso de dinheiro público.

Próximos passos

Como a Prefeitura não respondeu ao pedido enviado pelo Cidadão Porto Belo, Márcio Moraes vai protocolar pedidos formais pela Lei de Acesso à Informação.

Serão solicitados dados sobre alunos com TEA, laudos, AEE, auxiliares de sala, professores de inclusão, formação continuada, protocolos de segurança, registros de crises e documentos de planejamento da rede.

As respostas serão usadas em uma segunda etapa da apuração.

Até lá, a pergunta permanece:

A Gestão Joel oferece estrutura, profissionais e transparência suficientes para garantir educação inclusiva com segurança para crianças e trabalhadores?

2 comentários sobre “Silêncio da gestão Joel amplia dúvidas sobre educação inclusiva

  • Muito boa e oportuna essa matéria! O que a escola diz é que a lei que amparava os alunos com TEA, sobre direito a um professor não esta mais em ação , agora basta um auxiliar(sem experiência, sem maturidade) pra dar suporte sendo que , nem essas auxiliares não tem esse suporte. Fora que cada criança tem obrigação de ter um PEI , mas se tem é mal elaborado! Total despreparo, quem sofre é que mais precisa , a criança atípica!

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  • É essencial o acompanhamento contínuo à criança atípica e deveria inclusive envolver os pais.

    Resposta

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