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Porto Belo perde liderança e vê participação em escalas de cruzeiros cair de 44,6% para 8,7%

Município tinha a maior fatia do mercado regional em 2021/2022; quatro temporadas depois, ficou atrás de Balneário Camboriú e Itajaí, mesmo com a região registrando mais escalas que no início da série

Porto Belo perdeu a liderança regional no turismo de cruzeiros e viu sua participação no número de escalas cair de 44,6% para 8,7% entre as temporadas de 2021/2022 e 2025/2026. Os dados constam do Informe do Observatório Costeiro e abrangem também Balneário Camboriú e Itajaí.

Na primeira temporada da série, Porto Belo recebeu 25 das 56 escalas registradas nos três municípios. Balneário Camboriú teve 22 e Itajaí, nove. Quatro temporadas depois, Porto Belo recebeu apenas oito dos 92 navios, enquanto Balneário Camboriú somou 47 escalas e Itajaí, 37.

Em números absolutos, Porto Belo perdeu 17 escalas, uma redução de 68%. No mesmo intervalo, Balneário Camboriú passou de 22 para 47 escalas, crescimento de 113,6%. Itajaí avançou de nove para 37, alta de 311%.

A mudança ocorreu em mercado regional maior do que aquele observado no início da série. As três cidades somaram 56 escalas em 2021/2022 e 92 em 2025/2026, crescimento de 64,3%.

O movimento mostra que a perda de Porto Belo não pode ser explicada apenas pela redução do mercado regional. Mesmo depois da retração das duas temporadas mais recentes, o número de escalas no Centro-Norte catarinense permanece acima do registrado quando Porto Belo liderava o setor.

Região chegou a 124 escalas

O maior volume da série ocorreu em 2023/2024, quando os três municípios receberam 124 escalas. Balneário Camboriú respondeu por 60, Itajaí por 42 e Porto Belo por 22.

Na temporada seguinte, o total regional recuou ligeiramente para 121 escalas. Porto Belo voltou a 17, enquanto Balneário Camboriú alcançou 64, o maior número registrado por um município no período. Itajaí teve 40.

A retração se aprofundou em 2025/2026. O total caiu para 92 escalas. A redução, porém, atingiu os municípios de maneira desigual. Balneário Camboriú permaneceu com mais da metade do mercado regional, Itajaí chegou a 40,2% e Porto Belo ficou abaixo de 10%.

De líder a terceiro colocado

A transformação aparece com mais clareza quando se observa a participação de cada município.

Em 2021/2022, Porto Belo concentrava 44,6% das escalas. Balneário Camboriú tinha 39,3% e Itajaí, 16,1%.

Na temporada seguinte, Balneário Camboriú saltou para 56,3% do total. Itajaí chegou a 26% e Porto Belo recuou para 17,7%.

Porto Belo manteve participação semelhante em 2023/2024, com 17,7%, mas voltou a perder espaço nas duas temporadas seguintes. A fatia caiu para 14% em 2024/2025 e chegou a 8,7% em 2025/2026.

No mesmo período, Itajaí avançou continuamente em participação e alcançou 40,2%. Balneário Camboriú terminou a série com 51,1%.

Se mantivesse a fatia inicial, Porto Belo teria 41 escalas

A dimensão da perda pode ser medida por uma projeção proporcional.

Se Porto Belo tivesse mantido em 2025/2026 os mesmos 44,6% do mercado regional que possuía em 2021/2022, teria recebido aproximadamente 41 das 92 escalas.

Foram oito.

A diferença é de cerca de 33 escalas em relação à participação que o município possuía no início da série.

A projeção não significa que Porto Belo tivesse direito às 41 escalas ou que elas necessariamente seriam destinadas ao município. O cálculo apenas mostra o tamanho da mudança na distribuição do mercado regional.

O que os números ainda não respondem

O Informe demonstra a perda de participação, mas não identifica as causas.

Os dados, isoladamente, não permitem atribuir a redução à infraestrutura portuária, às negociações com as companhias, ao trânsito, ao modelo de receptivo, à oferta de excursões ou à redução nacional da frota de cruzeiros.

Esses fatores exigem uma segunda etapa de apuração.

O que a série já permite afirmar é mais simples: Porto Belo perdeu a posição que ocupava no início do período enquanto Balneário Camboriú e Itajaí passaram a concentrar a maior parte das escalas de cruzeiros do Centro-Norte catarinense.

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