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Professores relatam sobrecarga de auxiliares no atendimento a alunos com TEA em Porto Belo

Fontes da rede municipal dizem que auxiliares de sala estão na linha de frente da inclusão, documentos mostram 187 pagamentos de auxiliares e 21 registros em cargos ligados à inclusão

Professores e auxiliares da rede municipal de Porto Belo relatam que auxiliares de sala têm assumido, na prática, parte do atendimento a alunos com TEA e outras demandas da Educação Especial. Segundo fontes ouvidas pelo Cidadão Porto Belo, Márcio Moraes, sob reserva de identidade, essas profissionais lidam com crises, fuga, agressividade, choro intenso, resistência à rotina e necessidade de acompanhamento próximo, sem que haja, em todos os casos relatados, formação específica, protocolo padronizado e suporte técnico suficiente.

A denúncia não recai sobre as auxiliares. Ao contrário. Os relatos indicam que muitas sustentam a rotina escolar em situações de alta pressão. A pergunta é outra: A Gestão Joel está oferecendo a essas profissionais estrutura compatível com o tamanho do desafio?

Documentos da Prefeitura reforçam a necessidade de explicação. A folha de pagamentos de maio de 2026 registra 187 pagamentos vinculados ao cargo de auxiliar de sala. Já a relação de funcionários de junho de 2026 aponta 21 registros em cargos ligados à inclusão, como Professor Ensino Fundamental – Inclusão e Professor Inclusão Braille e Libras.

Os números levantam uma dúvida central: a rede municipal tem professores de inclusão, AEE, formação continuada, protocolos e equipe técnica em quantidade suficiente para atender alunos com TEA?

A Lei Brasileira de Inclusão define o profissional de apoio escolar como aquele que atua em atividades de alimentação, higiene, locomoção e nas atividades escolares em que houver necessidade, mas exclui técnicas ou procedimentos próprios de profissões legalmente estabelecidas.

A LDB também prevê atendimento educacional especializado e professores com especialização adequada para esse atendimento, além de professores do ensino regular capacitados para integrar os estudantes nas classes comuns.

No caso de estudantes com TEA, a Lei Berenice Piana garante acompanhante especializado em classe comum quando houver comprovada necessidade. A mesma lei também aponta o incentivo à formação e capacitação de profissionais especializados no atendimento à pessoa com TEA.

O ponto de conflito está no chão da escola. As fontes ouvidas afirmam que auxiliares de sala acabam acompanhando alunos em situações que exigem mais do que apoio de rotina. Elas relatam medo de errar, falta de orientação clara sobre como agir em crises e insegurança sobre os limites da própria função.

Uma auxiliar relatou à apuração episódios de arranhões, sobrecarga física e desgaste emocional durante o atendimento a estudantes com TEA. O relato é tratado como depoimento individual e será confrontado com documentos oficiais e respostas da Prefeitura.

No acervo analisado até agora, o Cidadão Porto Belo não localizou certificados, listas de presença, ementas ou relatórios que comprovem formação específica das auxiliares em TEA, manejo de crise, comunicação visual, rotina estruturada, contenção segura, PEI/PDI ou primeiros socorros. Também não foi localizado protocolo municipal específico para crise, fuga, autoagressão, agressividade, lesão e comunicação à família. O que exige da gestão a obrigação de comprovar o que foi feito, quando foi feito, quem participou e como as escolas são orientadas.

Professores ouvidos afirmam que a inclusão não pode depender apenas da boa vontade de auxiliares. Eles defendem que o atendimento a alunos com TEA precisa envolver professor regente, professor de inclusão, AEE, equipe técnica, família e planejamento individualizado.

A diferença é importante. Ajudar na alimentação, na higiene, na locomoção e na rotina escolar é função essencial. Mas adaptar currículo, planejar intervenção pedagógica, orientar estratégias de aprendizagem e definir condutas diante de crises exige responsabilidade técnica e formação adequada.

A gestão Joel já foi questionada pelo Cidadão Porto Belo sobre alunos com TEA, auxiliares de sala, professores de inclusão, AEE, protocolos e formação. Até a publicação, não havia enviado resposta. O vereador Professor Juliano, ligado publicamente à pauta da educação, também foi convidado a se manifestar sobre a fiscalização do tema, mas não respondeu.

As famílias atípicas também aguardam respostas. Pais e mães precisam saber quem acompanha seus filhos, com qual preparo, qual protocolo, qual suporte técnico e quais medidas a Prefeitura adota quando criança entra em crise ou quando servidora se machuca no atendimento.

A pergunta permanece: Porto Belo está garantindo inclusão com estrutura técnica ou sustentando por política sensível pela sobrecarga de auxiliares de sala?

O espaço segue aberto para manifestação da Prefeitura de Porto Belo, da Secretaria Municipal de Educação, da Câmara de Vereadores e dos demais citados. Caso enviem resposta, o conteúdo será incluído em atualização. Assim como, você professor, auxiliar, familiares que queiram se manifestar, estejam a vontade para entrar em contato conosco. Esse desafio não é somente seu. É de todos!

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